Anônimos

     Vivi uma boa parte da minha infância no bairro Promorar. Foi lá que iniciei os meus primeiro chutes na “bola”. Coloquei entre parênteses,  para explicar que a minha bola e de todos os meus amigos não foi comprada e muito menos ganhada. A nossa bola era fabricada por nós mesmos. Saquinho de leite vazio ou saco de arroz (tipo 1) vazio e preenchíamos de jornal velho, amarrava na ponta e estava feito o nosso objeto de felicidade. Íamos para o campinho da Promorar, na época ainda não existia o salão comunitário do bairro e o campo era totalmente de terra. São momentos que vão ficar marcado para sempre em minha memória. A bola original, no início encontrávamos apenas na escola! Quando tinha educação física, nem se fala, era só sorriso.
     Algum tempo depois mudamos para o bairro Hortêncio, e lá tínhamos um amigo que possuía uma bola de couro, daquelas de couro inflado com borrachas vulcanizadas. Quando chovia, essas bolas de couro ficavam pesadas e eram ótimas para cabecear. Cada cabeceada era uma cascudo. Hoje os tempos são outros, a bola é feita de material sintético, leve e macia e quase toda criança possui uma em sua casa.
     Voltando ao bairro Hortêncio. Tínhamos a bola e faltava o campinho. Ao lado dos trilhos, ali determinamos que sería o local ideal, era um lugar que tinha pouca grama mas o solo era nivelado, porém com bastante macegas. A nossa iniciativa foi fazer um mutirão entre a gurizada para limparmos o local, fabricarmos os arcos (do gol) com madeira de eucaliptos e delinearmos as marcações do campo através de pequenas valetas. O trabalho em forma de mutirão durava quase que uma semana. Ao final depois de muito trabalho desfrutávamos todos os dias, à tardinha, de uma emocionante partida de futebol. Foi um trabalho suado que realizamos, porém no final aproveitamos bastante.
     O Cruzeiro de Giruá está com um belo projeto, que já teve início, de renovar o gramado e mais algumas estruturas do estádio.  Na semana, passada, flagrei duas pessoas com marretas quebrando os concretos dos postes onde cercavam o campo do Estrelão. Tiago Almeida e João Medeiros. Eram 16h da tarde. Percebi que os dois trabalhavam de forma motivada, nem dando importância para os calos que estavam surgindo nas mãos. Estão realizando um trabalho voluntário, para deixar o campo do Cruzeiro em ótimas condições. O gramado que tinha um desnível não terá mais e a grama será a mesma do estádio da taba índia. Um trabalho duro e pesado. Mas que no íntimo deles valerá a pena.

     Quando criança, preparávamos o campo para depois desfrutarmos jogando futebol. Hoje o Tiago e o João estão preparando o campo, não para eles jogarem futebol, a época deles já passou, mas para ver outras pessoas desfrutando do trabalho dos mesmos. Mas porque eles trabalham desta forma se nem (pelo menos por enquanto) pretensões políticas os mesmos possuem. É louvável a atitude anônima dessas pessoas! Afirmo “pessoas” porque cada clube geralmente tem os seus “Tiagos e Joãos”, gente que não medem esforços em realizar um trabalho para verem outras pessoas desfrutarem! Em nome do Tiago e João quero parabenizar a todas as pessoas que lutam e trabalham pelos seus clubes. São poucos, mas graças a Deus que existem, pois são elas que mantém vivo o nosso futebol!
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Autor Márcio Giruá

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